O Espírito Santo vem se destacando no cenário do turismo brasileiro ao atrair visitantes que permanecem mais tempo e gastam mais durante a estadia. Segundo a PNAD Contínua Turismo 2024, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Estado recebeu 440 mil viagens nacionais no ano passado, o equivalente a 2,2% dos deslocamentos turísticos do país.
Embora tenha passado da 12ª para a 13ª posição no ranking nacional, o levantamento mostra avanços consistentes no perfil dos visitantes. Cerca de 39,7% das viagens ao Espírito Santo tiveram o lazer como principal motivação, percentual praticamente idêntico à média nacional, de 39,8%. Com esse índice, o Estado ocupa a sexta colocação entre as unidades da federação, atrás de Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Entre os destaques, está o aumento expressivo do gasto médio em viagens com pernoite, que chegou a R$ 2.118,00 em 2024, alta de 35,3% em relação a 2023. O valor superou a média nacional, estimada em R$ 1.843,00, e colocou o Espírito Santo na oitava posição do país, à frente de grande parte dos destinos mais tradicionais. No Sudeste, ficou atrás apenas do Rio de Janeiro, que registrou R$ 2.194,00.
O tempo médio de permanência dos turistas também cresceu, passando de 5,9 para 6,5 dias, o que garante ao Estado a maior média da região Sudeste. Esse aumento, segundo o estudo, tem impacto direto sobre os setores de hospedagem, alimentação e serviços, impulsionando a economia local e ampliando o alcance do turismo capixaba.
Apesar do avanço no gasto total, houve uma leve queda no gasto médio diário individual, que passou de R$ 260,00 para R$ 249,00 — redução de 4,2%. O Observatório do Turismo do Espírito Santo, por meio do projeto Conecta Turismo, explica que a variação decorre do comportamento de um visitante que permanece mais tempo no destino, o que dilui o gasto diário sem reduzir o investimento total.
Para o secretário de Estado do Turismo, Victor Coelho, os resultados confirmam que as políticas adotadas estão fortalecendo a imagem do Espírito Santo como um destino competitivo. Ele avalia que o aumento no gasto médio e no tempo de permanência demonstra o reconhecimento do Estado como um lugar de experiências completas e reforça que “o visitante não está apenas passando, mas ficando e consumindo mais, o que gera impacto econômico consistente e distribuído”. Segundo ele, essa evolução é fruto de uma estratégia voltada para valorizar os atrativos e diversificar a oferta turística.
Os resultados nacionais da PNAD também apontam para uma mudança no comportamento dos viajantes. Em todo o Brasil, cresce o interesse por experiências culturais, gastronômicas e de natureza, enquanto o turismo voltado apenas para sol e praia vem diminuindo. As viagens com essa motivação recuaram de 55,5% em 2020 para 44,6% em 2024, enquanto as ligadas à cultura e gastronomia subiram para 24,4% e as de ecoturismo e aventura alcançaram 21,7%.
Da redação


