
Antigamente, escrever era a melhor forma de garantir que as coisas não seriam esquecidas. Para contar a história de alguém que mudou de cidade, como nasceu um povoado ou para explicar o que é certo e errado, era preciso tempo. A gente escolhia cada palavra com carinho para que o leitor entendesse exatamente o que estávamos sentindo e pensando.
Mas, com a internet, tudo mudou. Agora, tudo precisa ser para ontem e a pressa virou a regra. Nas redes sociais, a conversa virou um amontoado de palavras cortadas e frases curtas. Onde antes buscávamos a palavra exata para definir um fato, hoje aceitamos qualquer coisa: um “vlw”, um “vc”, “tbm” ou um simples desenho (emoji) que resume, mas não explica nada.
Essa comunicação “picada” traz três perigos: primeiro: Quando paramos de usar as palavras certas, nossa mente também vai perdendo a capacidade de entender os detalhes do mundo. A gente não usa a fala apenas para passar informação, mas para organizar o nosso próprio pensamento. Segundo: a nossa história, seja da nossa família ou da nossa região, é feita de detalhes. A internet quebra esse fio da história, transformando fatos importantes em apenas “fofocas” ou avisos rápidos sem profundidade. Terceiro: a conversa rápida foca só no agora e esquece do passado e do futuro. Sem uma escrita mais cuidadosa, não deixaremos lembranças reais para os nossos netos e gerações que virão.
Recuperar o jeito de se comunicar não significa abandonar o celular ou o computador, mas sim resistir à pressa deles. Precisamos criar momentos para ler textos maiores e pensar com calma. Afinal, um povo que só se comunica com “poucas palavras” corre o risco de esquecer quem ele é e de não saber mais contar a sua própria história. Valorizar a escrita é, no fundo, cuidar da nossa própria memória.
Por: Pastor Alcemar Cabreira



