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ES Cidades > Blog > Esporte > Brasil não joga como Brasil: os erros que levaram à eliminação na Copa do Mundo
EsporteNotícias

Brasil não joga como Brasil: os erros que levaram à eliminação na Copa do Mundo

6 de julho de 2026 08:56
ES Cidades
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9 Min Read
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O Brasil chegou aos Estados Unidos atrás do hexacampeonato. Após a derrota por 2 a 1 para a Noruega e a consequente eliminação da Copa do Mundo, a Seleção Brasileira alcançou um hexa diferente: são seis edições sem títulos do Brasil em Mundiais, a maior sequência de toda sua história. A conquista aconteceu em 2002. Assim, a Seleção chega a 28 anos sem ganhar uma Copa.

Contents
Estratégia de Ancelotti deu a bola para a NoruegaBruno Guimarães despenca de produçãoSubstituições enfraquecem o BrasilNeymar pouco conseguiu mudarHaaland decide em dois lancesEscrita contra europeus cresce e expõe fracassos

O placar, porém, explica apenas parte da história. O Brasil criou oportunidades suficientes para construir outro roteiro, desperdiçou um pênalti ainda no primeiro tempo, finalizou mais vezes do que o adversário e viu Erling Haaland decidir praticamente sozinho. O time despencou de produção no segundo tempo, especialmente após substituições equivocadas, e pagou o preço pela estratégia de entregar a bola e o controle do jogo ao adversário.

Estratégia de Ancelotti deu a bola para a Noruega

A estratégia montada por Carlo Ancelotti apostava em recuperar a bola e acelerar com Vinícius Júnior, Rayan e Gabriel Martinelli. Em diversos momentos, ela até produziu oportunidades claras, sobretudo após erros individuais na saída de bola norueguesa. O problema apareceu quando a equipe não conseguiu transformar essas chances em gols.

O atacante norueguês #09 Erling Braut Haaland (C) comemora o primeiro gol de sua equipe durante a partida das oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 entre Brasil e Noruega
Haaland comemora o primeiro gol de sua equipe contra o Brasil (Foto: Jewel SAMAD / AFP)

Poucas vezes a Noruega controlou tanto um adversário de alto nível quanto fez diante do Brasil. Mesmo sendo uma equipe acostumada a atuar em transições rápidas, os europeus terminaram a partida com 60% de posse de bola, contra apenas 32% da Seleção Brasileira, com 8% em disputa, pelos dados da Fifa. Desde 1966, o Brasil nunca havia tido posse de bola inferior a 40% num jogo de Copa do Mundo, segundo estatísticas da Opta. Ou seja, a seleção de Ancelotti não jogou com a cara do Brasil.

Foram 683 passes da Noruega, com 627 concluídos, praticamente o dobro dos 347 passes brasileiros. Também realizaram 193 tentativas de penetração ofensiva, contra 122 do Brasil, além de receberem 151 bolas entre as linhas de defesa e meio-campo, número muito superior às 87 recepções brasileiras.

Os números ofensivos mostram um cenário curioso. O Brasil finalizou mais vezes que a Noruega: foram 14 chutes contra nove. Também entrou mais na área adversária, com nove finalizações de dentro da grande área diante de sete dos europeus.

Ainda assim, a eficiência fez toda a diferença. Logo no primeiro tempo, Bruno Guimarães desperdiçou um pênalti defendido por Nyland. Depois, Endrick saiu cara a cara com o goleiro poucos segundos após entrar em campo, mas um domínio longo comprometeu completamente a conclusão. Vinícius Júnior também teve boas oportunidades, porém encontrou sempre muita marcação, frequentemente cercado por dois ou três adversários, e acabou insistindo demais nas jogadas individuais.

Do outro lado estava Erling Haaland. O atacante precisou de apenas quatro finalizações para marcar duas vezes. Já soma sete gols em quatro partidas nesta Copa do Mundo e converteu sete de suas 18 finalizações no torneio, aproveitamento de 39%. Desde Gerd Müller, em 1970, ninguém havia alcançado sete gols nas quatro primeiras partidas de uma Copa.

Bruno Guimarães despenca de produção

Poucos jogadores chegaram às oitavas em nível tão alto quanto Bruno Guimarães. Responsável por quatro assistências durante a campanha, o meio-campista era um dos principais organizadores da Seleção Brasileira e havia se destacado pela intensidade sem bola e pela qualidade nos passes entre linhas.

Bruno Guimarães erra cobrança de pênalti durante Brasil x Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo
Bruno Guimarães erra pênalti contra a Noruega: a falha abateu o volante (Foto: MAURO PIMENTEL/AFP)

Contra a Noruega, entretanto, o roteiro foi diferente. O pênalti desperdiçado teve peso emocional evidente. Ainda assim, enquanto permaneceu em campo, continuou sendo o principal responsável pela saída de bola brasileira. Quando deixou o gramado, o Brasil perdeu praticamente toda sua capacidade de organizar ataques e conectar o meio-campo e os atacantes. A coincidência chama atenção: pouco após sua substituição, Haaland abriu o placar.

Substituições enfraquecem o Brasil

Se o plano inicial funcionou parcialmente, as mudanças feitas durante o segundo tempo alteraram o equilíbrio do jogo. A entrada de Endrick ainda criou uma oportunidade imediata. Depois disso, porém, as alterações passaram a beneficiar claramente a Noruega.

Quando Neymar e Danilo Santos substituíram Martinelli e Rayan, o Brasil perdeu intensidade pelos lados do campo. Mais tarde, a saída de Bruno Guimarães, principal organizador da equipe durante boa parte do torneio, retirou justamente o jogador que conseguia acelerar os ataques com passes verticais.

Davide e Carlo Ancelotti passam orientações para Neymar e Danilo Santos durante Brasil x Noruega
Davide e Carlo Ancelotti orientam Neymar e Danilo durante Brasil x Noruega (Foto: Pedro UGARTE/AFP)

Pouco depois da saída de Bruno e a entrada de Éderson, a Noruega abriu o placar. Antes da cabeçada certeira de Haaland para o gol, os noruegueses controlaram a posse de bola praticamente por 6 minutos, sem que o Brasil trocasse mais do que três passes seguidos. Sem conseguir recuperar rapidamente a posse, o Brasil passou a jogar quase todo o restante da partida dentro do próprio campo. A equipe terminou pressionada, incapaz de encurralar a Noruega mesmo depois de sofrer o primeiro gol.

Enquanto Ancelotti desmontava a estrutura defensiva para apostar em nomes mais técnicos, o técnico Ståle Solbakken acertava todas as suas trocas. Andreas Schjelderup entrou no intervalo e participou diretamente dos dois gols ao servir Haaland em ambas as oportunidades. Oscar Bobb acrescentou velocidade e presença entre as linhas, aumentando o controle territorial dos noruegueses.

Neymar pouco conseguiu mudar

A expectativa em torno da entrada de Neymar era enorme. Na prática, o camisa 10 encontrou dificuldades previsíveis para alguém que chegou ao torneio sem sequência de jogos. Participou pouco da pressão sem bola, não conseguiu acelerar os ataques e ainda protagonizou momentos de irritação, incluindo uma discussão com o goleiro norueguês.

Seu gol de pênalti, já aos 54 minutos do segundo tempo, serviu apenas para diminuir o placar. O atacante esteve distante da condição física necessária para assumir o protagonismo que a partida exigia.

Neymar chora ao deixar o campo após a eliminação do Brasil
Neymar chora ao deixar o campo após a eliminação do Brasil (Foto: Odd ANDERSEN / AFP)

Haaland decide em dois lances

Durante boa parte da partida, a defesa brasileira conseguiu controlar o principal atacante da Noruega. Isso mudou completamente após o intervalo.

Com a entrada de Schjelderup, os cruzamentos passaram a encontrar Haaland em melhores condições. O camisa 9 venceu todos os quatro duelos aéreos que disputou contra o Brasil e alcançou o melhor aproveitamento em bolas aéreas entre atacantes com mais de 15 disputas em uma Copa do Mundo desde 1966: 14 vitórias em 18 duelos, índice de 78%. Sua eficiência transformou um confronto equilibrado em uma classificação histórica para a Noruega.

Escrita contra europeus cresce e expõe fracassos

A eliminação também reforça uma tendência que acompanha o Brasil há duas décadas. A Seleção Brasileira perdeu seus últimos sete confrontos de mata-mata de Copas do Mundo contra adversários europeus: França (2006), Holanda (2010 e disputa do terceiro lugar de 2014), Alemanha (2014), Bélgica (2018), Croácia (2022) e agora Noruega (2026).

Mais do que uma sequência estatística, trata-se de um padrão competitivo. O Brasil costuma atravessar a fase de grupos com autoridade, supera adversários de outros continentes e encontra enorme dificuldade quando enfrenta seleções europeias organizadas, físicas e capazes de controlar diferentes momentos da partida.

Haaland e os jogadores da Noruega remam com a torcida após classificação sobre o Brasil na Copa do Mundo
Haaland e os jogadores da Noruega remam com a torcida após classificação sobre o Brasil na Copa do Mundo (Foto: MAURO PIMENTEL/AFP)

A derrota em Nova Jersey amplia essa percepção. Houve oportunidades suficientes para vencer, mas a noite terminou resumindo boa parte dos problemas vistos nos últimos Mundiais: dificuldade para controlar o jogo, pouca eficiência nas áreas decisivas e decisões estratégicas que acabaram favorecendo justamente o adversário.

Por: Lance!

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