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ES Cidades > Blog > Internacional > EUA investigam drones suspeitos de espionagem chinesa em bases militares
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EUA investigam drones suspeitos de espionagem chinesa em bases militares

31 de agosto de 2026 11:26
ES Cidades
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19 Min Read
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Era primavera de 2025, e a caça havia começado.

Contents
A espionagem no meio de um mar de drones“Foi um circo, foi constrangedor”O problema da China

Autoridades americanas perto de uma instalação militar sensível de testes de mísseis no Novo México avistaram um drone do tipo quadricóptero voando de uma maneira que sugeria que ele estava realizando reconhecimento no espaço aéreo restrito ao redor da área de testes.

Não era a primeira vez. Apenas alguns meses antes, no outono de 2024, um drone semelhante havia sido visto voando em um padrão parecido sobre a mesma base, levando agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP) a uma perseguição de cerca de 56 quilômetros, segundo quatro autoridades americanas atuais e antigas.

Usando helicópteros e drones e fazendo “imagens absolutamente lindas”, segundo um ex-funcionário americano, os agentes de fronteira seguiram o drone até ele entrar no espaço aéreo mexicano, onde tiveram de retornar. Eles nunca descobriram quem operava o drone ou por quê.

Desta vez, porém, as autoridades prepararam uma armadilha.

Durante cerca de cinco dias, em meio a tempestades de poeira e mau tempo, o drone entrou e saiu do espaço aéreo da White Sands Missile Range. Uma força-tarefa formada por funcionários de diversas agências — o Exército, o FBI, o Departamento de Segurança Interna e até o pequeno escritório do Pentágono responsável por rastrear objetos voadores não identificados — estudou os padrões de movimento do drone, coletou informações sobre ele e tentou descobrir quem o operava e por quê.

Finalmente, usando ferramentas de guerra eletrônica, as autoridades fizeram o drone pousar em um estacionamento da base. O primeiro passo foi garantir que o aparelho não estivesse armado com explosivos, segundo o ex-funcionário familiarizado com o episódio.

Enquanto isso, autoridades monitoravam um grupo de cidadãos chineses em um trailer Mercedes alugado estacionado nas proximidades. Segundo o ex-funcionário americano e outra fonte familiarizada com o caso, essas pessoas haviam voado para Nova York, alugado o veículo e atravessado o país até Las Vegas para buscar uma terceira pessoa antes de seguirem para o sul, diretamente para White Sands.

Havia ainda outra pessoa nas proximidades: uma mulher chinesa que havia chegado ao Texas em um navio de cruzeiro, alugado um carro e dirigido até o Parque Nacional de White Sands, onde permaneceria atrás dos portões depois do fechamento do parque.

Mais tarde, disseram as duas fontes, o FBI informou a autoridades militares e da CBP que as pessoas eram suspeitas de ter ligações com a inteligência chinesa.

As autoridades monitoraram os dois veículos, tentando entender como eles estavam relacionados entre si e com o próprio drone.

Por fim, os dois grupos foram detidos. O grupo no trailer foi abordado por autoridades militares perto da base e entregue a autoridades federais, segundo a fonte familiarizada com o episódio.

A mulher no parque recebeu uma multa e foi liberada pelo Departamento do Interior, segundo o ex-funcionário americano.

A CNN não conseguiu descobrir o que aconteceu com nenhum deles depois disso. Mas as autoridades tinham certeza de que os dois grupos estavam conectados: segundo uma das fontes, informações de identificação relacionadas à mulher foram encontradas no trailer.

O Exército e o FBI não responderam a um pedido de comentário antes da publicação. A CBP se recusou a comentar o caso específico, citando a política de rotina de não comentar sobre supostas incursões. Um porta-voz da Embaixada da China disse desconhecer o episódio.

“A narrativa falsa sobre a China realizar atividades de espionagem é totalmente desprovida de base factual ou evidências, consistindo em nada mais do que especulações infundadas e sensacionalismo”, afirmou o porta-voz.

A espionagem no meio de um mar de drones

O episódio é um entre incontáveis casos de incursões de drones no espaço aéreo americano sobre instalações militares e outras áreas governamentais restritas. Muitas vezes, os aparelhos são operados por amadores, cartéis que transportam drogas para um terceiro destino ou turistas — mas, em alguns casos, acredita-se que sejam pilotados por agentes estrangeiros realizando operações de espionagem.

A proliferação de drones baratos e fáceis de operar tornou relativamente simples para pessoas comuns realizar o que, pelo menos aparentemente, seria vigilância aérea — e extremamente difícil para o governo americano rastrear e impedir essas atividades. Essa nova realidade caótica deixou o governo correndo para tentar acompanhar a ameaça.

A natureza de quaisquer vínculos com os serviços de inteligência chineses ou de outros países costuma ser frustrantemente pouco clara para autoridades de contrainteligência de todo o governo. As investigações envolvem uma combinação de instinto e suposições, o que dificulta obter mais do que uma acusação menor por operar um drone em espaço aéreo restrito, segundo autoridades atuais e antigas.

Acredita-se que a China pressione ou incentive civis comuns a realizar o que uma autoridade chamou de “vigilância incômoda” sobre uma série de alvos militares, alguns altamente sensíveis, outros menos. Em outros casos, segundo essas fontes, cidadãos chineses dentro dos Estados Unidos parecem tomar a iniciativa de espionar sem uma ordem direta de um agente da inteligência chinesa.

Autoridades americanas estão preocupadas com a possibilidade de algo pior: um ataque terrorista cometido por um indivíduo contra infraestrutura crítica ou alvos civis nos Estados Unidos. Embora duas autoridades americanas com conhecimento da inteligência mais recente tenham dito que não há indicação de uma conspiração ativa de grupos ligados ao Irã ou de outros grupos terroristas, como o Estado Islâmico, a oportunidade evidente existe.

O recente roubo de 15 drones agrícolas em Nova Jersey alarmou profundamente autoridades americanas, segundo uma delas, por causa do potencial dos aparelhos de servirem como sistema de entrega para um ataque com armas químicas. As autoridades posteriormente recuperaram os drones.

Autoridades militares também alertam publicamente que um enxame de drones poderia sobrecarregar as defesas aéreas no território americano. Uma autoridade militar descreveu uma operação ucraniana com drones realizada em junho de 2025, chamada Operação Spiderweb, como uma demonstração preocupante do que é possível fazer. A Ucrânia utilizou 117 drones para destruir pelo menos uma dúzia de aviões de guerra russos estacionados em bases aéreas a milhares de quilômetros das linhas de frente.

Esses temores provocaram uma intensa mobilização do governo para desenvolver e implementar equipamentos sofisticados contra drones para um amplo grupo de autoridades, incluindo polícias estaduais e locais e bases militares.

A operação em White Sands foi considerada um sucesso pelas autoridades americanas, segundo duas pessoas envolvidas ou informadas sobre a operação, demonstrando um processo bem-sucedido de cooperação entre diferentes órgãos.

Mas o problema é muito maior do que White Sands. E ninguém sabe ao certo quem, dentro do governo americano, deveria estar no comando.

“O problema é de todos — então não é problema de ninguém”, disse uma autoridade americana.

“Foi um circo, foi constrangedor”

Não existe um único órgão nos Estados Unidos responsável por detectar, impedir ou neutralizar essas incursões, seja no espaço aéreo governamental ou civil — o que a comunidade de segurança nacional hoje abrevia como “C-UAS”, ou sistemas contra aeronaves não tripuladas.

No fim de 2023, durante o governo do presidente Joe Biden, quando um misterioso enxame de drones sobrevoou uma base da Força Aérea na Virgínia durante 17 dias, alguns funcionários que trabalharam no caso descreveram a situação como uma operação sem liderança.

A situação era tão caótica que autoridades do Estado-Maior Conjunto — uma parte das Forças Armadas que deveria aconselhar, e não participar de operações — intervieram para criar uma força-tarefa que tentasse organizar a situação, segundo um dos ex-funcionários.

“Foi um circo, foi constrangedor”, disse essa pessoa. “Isso não fazia parte do mandato deles. Mas eles viram um vácuo.”

Depois daquele episódio, o então secretário de Defesa Lloyd Austin designou o Comando Norte dos Estados Unidos, responsável pela defesa do território nacional, como autoridade coordenadora para pequenas incursões de drones em bases militares.

Desde então, o Comando Norte estabeleceu um protocolo: sempre que um drone perdido é avistado sobre uma base militar, é realizada uma teleconferência entre a base, as forças policiais locais, o FBI, o Departamento de Segurança Interna, as Forças Armadas e qualquer outra instituição que possa ter um sistema de combate a drones nas proximidades. Se a base não tiver capacidade para montar sua própria defesa, os envolvidos decidem quem irá transportar o equipamento e pagar por seu uso.

O sistema tem funcionado bem, segundo a autoridade militar.

“Eu vi a situação passar de ‘quem é responsável pelo problema?’ para ‘todos nós somos responsáveis por ele, e todos temos um papel a desempenhar’”, afirmou.

Às vezes, o escritório do Pentágono encarregado de identificar e analisar “Fenômenos Anômalos Não Identificados” — termo usado pelo governo para OVNIs — também é acionado porque possui equipamentos especializados para rastrear objetos voadores de origem desconhecida. Assim como ocorreu em White Sands, o escritório de UAP pode fornecer uma visão operacional comum para autoridades que monitoram drones.

O Pentágono também criou, em 2025, uma força-tarefa para coordenar tecnologias e técnicas contra drones em todas as Forças Armadas. O grupo está estudando armas de energia direcionada, como lasers e micro-ondas de alta potência, que as autoridades esperam poder usar para desativar drones a baixo custo. O Departamento de Segurança Interna criou um escritório semelhante em janeiro.

Ainda houve falhas importantes.

Em dois incidentes consecutivos em fevereiro, a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) fechou o espaço aéreo sobre El Paso, no Texas, depois que o Departamento de Defesa não coordenou com a agência de aviação antes de permitir que a CBP testasse um sistema de laser contra drones, segundo fontes disseram à CNN na época. A medida efetivamente fechou o aeroporto da cidade por oito horas.

Cerca de duas semanas depois, as Forças Armadas americanas derrubaram acidentalmente com um laser uma aeronave não tripulada operada pela CBP cerca de 80 quilômetros ao sul de El Paso.

Quando se trata de instalações federais, grandes eventos civis e infraestrutura crítica — locais que não estão sob autoridade militar para proteção — autoridades federais responderam tentando ampliar o número de entidades com acesso a treinamento e equipamentos contra drones, além da autoridade para utilizá-los.

A CIA recebeu novas autorizações do Congresso em 2026 para que sua polícia desative drones no ar dentro dos Estados Unidos e os force a pousar quando representarem uma ameaça às instalações da agência. O Congresso também ampliou a capacidade de governos estaduais e locais de fazer o mesmo, diante do reconhecimento por parte de parlamentares de que nenhuma agência federal isolada conseguiria proteger o país contra o enorme número de voos ilegais de drones.

O Departamento de Segurança Interna e o FBI forneceram amplo apoio a grandes eventos públicos — os chamados “alvos fáceis” — nos últimos meses. No início deste ano, autoridades federais acusaram várias pessoas que, segundo elas, discutiram planos para usar drones e um atirador para atacar um evento do UFC na Casa Branca. O FBI estabeleceu zonas de proibição de drones em torno dos locais da Copa do Mundo neste ano e informou que, até a semana anterior à partida final, havia detectado quase 1.600 drones ilegais e confiscado mais de 700.

Mas autoridades afirmam que ainda existem grandes vulnerabilidades de segurança. Um exemplo, segundo uma autoridade americana: ninguém sabe ao certo quem é responsável pela proteção dos centros de dados que são de propriedade privada, mas armazenam uma enorme quantidade de dados governamentais sensíveis de agências como a CIA.

Atualmente, essa responsabilidade cabe às forças policiais locais — que podem não ter as capacidades necessárias para se defender da ameaça.

O problema da China

Quando se trata de supostos esforços de espionagem chineses usando drones para monitorar instalações militares nos Estados Unidos, as autoridades têm dificuldade para dimensionar o problema. Isso ocorre principalmente porque é quase impossível atribuir com segurança qualquer incursão específica a uma operação de inteligência chinesa.

Segundo autoridades, a China usa intermediários civis para realizar esse trabalho — estudantes e americanos de origem chinesa com familiares na China continental que podem ser pressionados — e não agentes de inteligência treinados.

“Não é como se agentes do MSS estivessem simplesmente correndo soltos pelos Estados Unidos”, disse uma das autoridades americanas, referindo-se ao serviço de inteligência da China.

No outono de 2024, autoridades federais prenderam um cidadão chinês que pilotava um drone sobre a Base da Força Espacial de Vandenberg durante o lançamento de um satélite militar. Ele foi detido no aeroporto de San Francisco enquanto se preparava para embarcar em um voo para a China.

Os investigadores encontraram em seus dispositivos fotografias aéreas de locais no Arkansas, no Texas e na China. Mas, no fim, os promotores só conseguiram obter uma declaração de culpa de Yinpiao Zhou, de 34 anos, por pilotar um pequeno drone em espaço aéreo restrito.

Uma segunda acusação, por não registrar uma aeronave, foi retirada como parte do acordo judicial. Zhou foi condenado a quatro meses de prisão federal.

Durante o episódio de 2023 sobre a base da Força Aérea na Virgínia, integrantes da Guarda Costeira abordaram uma fragata de bandeira chinesa na costa leste dos Estados Unidos sob o pretexto de uma inspeção de segurança de rotina, segundo várias fontes. Mas não encontraram nada definitivo que ligasse o navio aos drones.

Autoridades americanas atuais e antigas afirmam que o número de verdadeiros voos de espionagem chineses provavelmente é relativamente baixo.

O aparato de coleta de informações da China é “descentralizado”, disse um ex-funcionário de contrainteligência. Autoridades do Partido Comunista tornam públicas suas prioridades, e “empreendedores de inteligência” às vezes tomam para si a tarefa de tentar coletar informações que seriam valiosas, afirmou.

O FBI frequentemente monitora cidadãos chineses que fazem coisas estranhas: “Dirigir por 24 horas seguidas, dormir no carro e depois voltar para casa”, por exemplo, disse essa pessoa. “Esse tipo de coisa acontece muito. É estranho, às vezes não tem explicação.”

Dentro do governo, autoridades americanas muitas vezes parecem falar de maneira definitiva sobre a atribuição, dando a entender que determinada incursão foi realizada pela China.

Mas, como é tão difícil vincular definitivamente um comportamento estranho ou um voo de drone específico a uma ordem dos serviços de inteligência chineses, alguns funcionários acreditam que a ameaça é exagerada.

“Muitas dessas pessoas são culpadas apenas de serem chinesas”, disse o ex-funcionário de contrainteligência, acrescentando que a maioria dos operadores encontrados pelo FBI são amadores.

E quanto a uma campanha mais ampla de drones chineses de vigilância coordenada nos Estados Unidos?

“Eu vejo isso como uma teoria da conspiração em formação”, disse o ex-funcionário.

As pessoas em White Sands eram mais do que simples intermediários de baixo nível ou “empreendedores de inteligência”? Autoridades do Departamento de Segurança Interna e do Departamento de Defesa ficaram com a impressão de que o FBI acreditava que sim. Até que ponto essa atribuição era realmente sólida, a CNN não conseguiu determinar.

A operação em White Sands, segundo o outro ex-funcionário americano, foi “uma história de sucesso”.

“Mas estamos longe de terminar e ainda estamos muito, muito vulneráveis.”

Por: CNN  Brasil

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