Em sua primeira grande entrevista desde a eleição em maio, o papa Leão XIV falou sobre temas polêmicos e atuais, demonstrando preocupação com os Estados Unidos, imigração, inteligência artificial e questões da Igreja Católica. A conversa foi concedida à jornalista Elise Allen, para sua biografia “Leão XIV: Cidadão do Mundo, Missionário do Século XXI”.
O pontífice destacou a importância da carta enviada pelo papa Francisco aos bispos americanos, que criticava planos de deportação de imigrantes durante o governo Trump. Embora tenha reforçado que não pretende se envolver em política partidária, Leão afirmou que pode dialogar diretamente com líderes se necessário e apoiar iniciativas de promoção da paz.
Sobre inteligência artificial, o papa recusou a criação de um “eu artificial”, um avatar que responderia perguntas em seu nome. Ele alertou contra o uso da tecnologia por “super-ricos” sem considerar o valor humano e reforçou que a relação entre fé e ciência não pode ser perdida.
A situação em Gaza também foi tema da entrevista. Leão XIV descreveu o contexto como “muito, muito grave” e mencionou a possibilidade de genocídio, mas evitou uma declaração oficial da Santa Sé, destacando questões técnicas e a necessidade de cautela.
O pontífice comentou ainda sobre abusos clericais, afirmando que a Igreja deve mostrar sensibilidade e compaixão, sem tornar o tema o foco central. Acolhimento a católicos LGBT+ seguirá os princípios de Francisco, mas sem mudanças no ensino sobre sexualidade. Leão enfatizou que a família tradicional deve ser apoiada e que o papel das mulheres na Igreja precisa continuar a evoluir, incluindo a nomeação para cargos de liderança e a análise da ordenação de diáconas.
Por fim, o papa reafirmou a política de diálogo com a China, mantendo a aproximação diplomática e o acompanhamento de questões envolvendo bispos e comunidades católicas no país.
Por: CNN Brasil


