
No último dia 24 de novembro, nove vereadores de Linhares, tomaram uma decisão que acendeu um alerta vermelho em toda a cidade. Sem apresentar nenhuma solução ou plano B, eles rejeitarem dois Projetos de Lei 184/2025 e 186/2025, enviados pelo prefeito Lucas Scaramussa, impedindo com isso, a renovação e a contratação emergencial de mais de 400 profissionais da saúde, entre médicos, técnicos, enfermeiros e equipes de apoio que mantêm as unidades funcionando diuturnamente.
Como resultado dessa votação, uma cidade com quase 200 mil habitantes e cidades vizinhas, a partir de 1º de janeiro, simplesmente ficará sem 400 profissionais de saúde que atendem principalmente as famílias mais humildes da região.
Resultado da votação dos 9 vereadores
Postos fechados, plantões descobertos, espera dobrada, urgências sem resposta e um risco real de vidas serem perdidas.
“Tenho duas crianças pequenas. Se uma delas passar mal de madrugada, quem vai atender? Esses vereadores estão brincaram com a nossas vidas de dos nossos filhos.”, desabafou a dona de casa Lucinéia Andrade, do Planalto.
O desespero dos profissionais de saúde
“Sem esses 400 profissionais, Linhares não perde apenas números, perde braços, rostos, vozes, cuidado. É gente que acolhe, aplica remédio, faz triagem, organiza filas, corre com maca, atende no desespero. E precisa desse emprego para viver, não estamos satisfeitos com os salários, mas preferíamos lutar com nossos empregos que desempregados”, falou em anonimato uma técnica de enfermagem do UPA Infantil.
“Se tirar essa galera, o sistema colapsa. Não tem como funcionar, é matemática básica, a gente não fala isso por política, é por sobrevivência”, explica um enfermeiro que pediu para não ser identificado, com medo de represálias.
Vereadores que votaram contra os projetos
Alysson Reis, Caio Ferraz, Sg. Romanha, Kauan do Salão, Juninho Buguiu, Jaguará da Saúde, Johnatan Maravilha, Pâmela Maia e Roque Chile.
“Eles sabiam, porque foi dito, apresentado e debatido que a rejeição significaria retirar da saúde o maior contingente de trabalhadores já visto de uma vez só.
Mesmo assim, votaram contra”, informou um representante da prefeitura que não quis se identificar.
Vereadores que votaram a favor dos projetos
Roninho Passos, Yupi Silva, Adriel Pajé, Juarez Donateli, Paulinho do Marcujá, Evelson Lima e Prof. Antônio.
Nos bastidores da Câmara, parlamentares relatam que o clima era de tensão, vaidade e disputa política. Um servidor presente disse: “Teve vereador que parecia mais preocupado com o engajamento do próximo vídeo do que com a vida das pessoas.”
Quando a política brinca com vidas
Desde a votação, grupos de WhatsApp, páginas locais e conversas de bairro estão tomadas pelo mesmo sentimento, “medo”.
“Eu moro sozinha e tenho problema no coração. Fiquei apavorada quando soube, se eu passar mal, o que vou fazer sem não tiver ninguém para me socorrer?”, Desabafou a aposentada Maria de Lourdes, 67 anos, do bairro Araçá.
Ninguém sabe ao certo o que vai acontecer depois do dia 1º de janeiro e essa incerteza virou o maior fantasma da cidade.
O risco do efeito dominó
Quando 400 profissionais somem de uma estrutura que já opera no limite, tudo desmorona em cadeia:
Atendimentos deixam de ocorrer;
Filas dobram;
Profissionais que ficam se sobrecarregam;
Erros aumentam;
Unidades fecham mais cedo;
Pacientes em situação grave não encontram suporte.
“É uma tragédia anunciada. E essa tragédia anunciada tem culpados. “Nenhuma cidade de 200 mil habitantes sobrevive a esse corte sem perder vidas.”, disse um médico que atende no HGL de forma reservada.
Quando a política escolhe o caos, é o povo que sangra
Não existe plano de contingência apresentado pelos vereadores que votaram contra.
Nenhum comunicado oficial, nenhuma solução alternativa, nenhuma proposta concreta que compense a ausência desses 400 trabalhadores.
A população simplesmente foi deixada sem profissionais de saúde e sem respostas.
E quando a primeira pessoa morrer por falta de atendimento, porque isso é uma possibilidade real, a cidade vai lembrar dessa votação.
E vai lembrar dos nomes que escolheram esse caminho.
Fonte: TRIBUNA DO POVO


