O senador Fabiano Contarato (PT-ES) foi eleito, nesta terça-feira (04 de novembro de 2025), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigará a atuação do crime organizado no país. A votação ocorreu durante a instalação do colegiado, no Senado, e terminou com placar apertado de 6 votos a 5. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que também disputava o cargo, foi escolhido vice-presidente por aclamação, em acordo posterior à eleição.
O nome de Contarato foi defendido pela base aliada do governo, enquanto a oposição lançou Mourão. Sem consenso prévio, os senadores decidiram o comando da comissão no voto. A abertura dos trabalhos foi conduzida pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), o mais velho entre os membros, que rebateu críticas sobre uma suposta tentativa de “blindagem” do governo.
A relatoria ficou a cargo de Alessandro Vieira (MDB-SE), autor do pedido de criação da CPI. Delegado da Polícia Civil por mais de 20 anos, Vieira está em seu primeiro mandato no Senado, assim como Contarato e Mourão.
Contarato, também delegado de carreira, afirmou em seu discurso de posse que a segurança pública “não deve ser uma pauta apenas da direita, nem uma bandeira exclusiva de conservadores”. Segundo ele, o objetivo é garantir que a CPI atue com isenção e foco na verdade. “A segurança pública é um direito do povo e um dever do Estado. Enquanto eu estiver na presidência dessa CPI, o medo não faltará ao debate sobre o crime. A verdade será a protagonista”, declarou.
A comissão havia sido criada em junho de 2025, mas permaneceu parada até agora, aguardando as indicações partidárias. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou a instalação do colegiado após uma megaoperação policial no Rio de Janeiro, que resultou em mais de 100 mortes.
Com prazo de 120 dias de funcionamento e limite de despesas de R$ 30 mil, a CPI pretende investigar organizações criminosas e milícias, além de propor medidas de enfrentamento ao avanço dessas estruturas no país.
Da redação



